No ano de 1976, WOODY ALLEN e ZERO MOSTEL figuraram dentre os principais protagonistas do filme de MARTIN RITT, “THE FRONT”. TESTA DE FERRO POR ACASO, no Brasil.

No filme, e durante a caça às bruxas – aos comunas -em HOLLYWOOD, HOWARD PRINCE (WOODY) trabalha num bar. Num certo dia, seu amigo e roteirista de TV, HECKY, diz que não conseguia mais trabalho nas emissoras de TV porque fora BLACKLISTADO – “dedado”.

E convence HOWARD a assinar seus roteiros e guardar uma parte do dinheiro para si. Como estivesse endividado por dívidas de jogo, e com gangsteres na sua cola, HOWARD aceita… e segue o roteiro.

Corta para 2018. Agora, e depois de anos de ameaças, de idas e vindas, de acusações e desmentidos, WOODY ALLEN, na prática, tem as denúncias contra ele aceitas, – não pela Justiça que por sinal já o inocentou -, mas pelas empresas, temerosas de represálias de investidores, funcionários, famílias.

E assim, o maior e mais profícuo cineasta de todos os tempos, tem sua sequência como autor de filmes – 49 realizações desde 1969 – a espetacular média de 1 filme por ano – precocemente interrompida, ainda que o diretor tenha chegado aos quase 83 anos de idade.

No ano de 1992, as acusações de sua ex-mulher a atriz MIA FARROW, com quem manteve um relacionamento de poucos anos e moravam em casas separadas, chegaram à Justiça.

Mia acusou WOODY formalmente de ABUSO SEXUAL de uma de suas filhas adotivas. O diretor foi absolvido duas vezes por falta de provas e não existe mais nenhum processo pendente.

Mas, aí a onda contra abusos sexuais vai ganhando dimensão, e o caso volta a tona. O movimento #MeToo, sem nenhuma outra razão factual e com um mínimo de consistência, decide apontar os dedos contra WOODY ALLEN.

No exato momento em que se preparava para lançar seu filme de número 50, A RAINY DAY IN NEW YORK, produzido pela AMAZON. Agora devidamente engavetado pela empresa de BEZOS por tempo indeterminado.

Sua principal acusadora, aquela que protagonizou na condição de mãe que pariu capeta – O BEBE DE ROSEMARY -, MIA FARROW, não prima por um comportamento convencional.

Casada e separada de Frank Sinatra, foi se lamuriar com sua querida amiga e cantora DORY PREVIN. Imediatamente engatou um romance com o marido de sua querida amiga, ANDRÉ PREVIN, na cama do casal sempre que oportuno, e com quem se casou meses depois. Do casamento 3 filhos naturais e 3 adotados.

Dentre eles, SOON-YI, com quem WOODY ALLEN se casou há mais de 20 anos.

MIA FARROW, no total de seus relacionamentos coleciona 14 filhos entre naturais e adotados. Dos adotados 3 já morreram. Dois cometeram suicídio e outro vítima da AIDS.

Quando começou a brigar com WOODY colocou em dúvida a paternidade de ALLEN sobre o filho que tiveram, RONAN FARROW, porque mesmo casada com ele disse que continuava saindo e transando com FRANK SINATRA, um de seus ex-maridos…

Semanas atrás, e diante do avanço do movimento #MeToo, e da AMAZON ter anunciado o engavetamento do filme de seu marido, WOODY ALLEN, SOON-YI decidiu manifestar-se.

E soltou o verbo em cima de sua mãe adotiva, MIA.

Que durante a infância a mãe a declarava publicamente burra e a colocava de castigo de cabeça para baixo para ver se irrigava seu cérebro e atenuava a burrice. Por sua origem, e como tivesse alguma dificuldade de alfabetização, MIA arremessava os cubos de letras de madeira todas as vezes em que cometia algum erro na sua cabeça. Sem falar em castigos, punições, e tapas também na cabeça e em profusão…

Vivemos tempos difíceis.

Onde, em com toda a razão e maior cabimento cobra-se severa punição a todos aqueles que por força de posição e dinheiro submeteram seres humanos a assédios, violências, e crimes.

Como se faz hoje, por exemplo, com a Igreja Católica e com as práticas hediondas adotadas e cometidas recorrentemente contra crianças em todo o mundo por sacerdotes bandidos e criminosos.

Assim como em relação ao tratamento que os homens têm dado às mulheres em toda a história da humanidade e que definitivamente tem que obrigatoriamente ser interrompido e suas ameaças estancadas e extirpadas sobre quaisquer eventuais manifestações próximas ou semelhantes a partir de agora.

FIM, CHEGA, NUNCA MAIS.

Mas, que possivelmente como sempre acontece, algumas injustiças estão e continuarão sendo cometidas, não tenho a menor dúvida.

Talvez, WOODY ALLEN seja uma delas.

Estou quase acreditando, quero acreditar, acho MIA FARROW uma desequilibrada, mas, e enquanto a dúvida não se resolver, é melhor WOODY aguardar por um entendimento mais claro do que verdadeiramente aconteceu. Do que eventualmente fez e ou protagonizou.

Continuo afirmando e dizendo ser WOODY ALLEN o maior diretor de cinema de todos os tempos.

Mas, confesso, e mesmo tendo praticamente todos os seus filmes em DVD, confesso não ter neste momento nenhuma vontade de rever um único que seja.

Estou em dúvida. Quero acreditar nele. Mas, estou em dúvida. E, na dúvida… prefiro aguardar.