Há um mês fechei meu diagnóstico sobre o A380. Um mega fracasso semelhante ao CONCORDE. Infelizmente, o acidente de hoje acelera o processo de descontinuidade de sua fabricação. Madia. Confira o que disse e foi publicado no Jornal PROPMARK.

“Aquele que não conhece sua própria história está condenado a repeti-la” EDMUND BURKE

ACONTECEU, NOVAMENTE!

Um dia FRANÇA e INGLATERRA decidiram apostar no avião de passageiro mais rápido do mundo – o CONCORDE. E deu no que deu. Erro crasso e monumental de marketing. Nesta mesma coluna denunciado há mais de 40 anos.

Mas, os mesmos franceses que naufragaram com o mais rápido, não desistiram e decidiram apostar na glória de construir o maior. E assim nasceu o AIRBUS A 380.

Em 1994, a AIRBUS anunciou sua intenção de desenvolver um mega avião, o A3XX. A ideia era contrapor-se contra o BOEING 747-400. Vários “group discussions” foram realizados – MAIS DE 200 – e sugestões de se ter a bordo restaurantes, ginásios, cassinos, e salões de beleza entraram nos rascunhos.

Em dezembro de 2000, o AIRBUS A3XX foi rebatizado para A380, e já contando com 50 pedidos de diferentes empresas. A380 pelo formato do 8 que sugeria 2 andares. Originalmente o projeto foi orçado em € 8,8 bilhões. Quando o projeto foi finalizado, em 2001, e começou-se a fabricar a primeira das asas, o custo já era de € 11 bilhões…

Cinco AIRBUS A380 foram construídos para os testes iniciais. No dia 27 de abril de 2005, às 10:29, hora local, em Toulouse, o primeiro voo. O piloto chefe, JACQUES ROSAY, ao descer, declara, “Me senti como se tivesse pilotando uma bicicleta…”.

O certificado de segurança do avião, depois de uma sucessão de problemas, foi concedido no dia 14 de dezembro de 2007. E o início da produção foi sucessivamente adiado por um pequeno e descomunal detalhe: cada aeronave requeria 530 km de fiação e aí era um emaranhado só…

Dos 80 aviões que seriam entregues até o final de 2009, depois de um primeiro corte, novos atrasos foram anunciados e os 80 viraram 25, e 45 em 2010… Parecia que a história do CONCORDE estava se repetindo… e estava… Finalmente, no dia 15 de outubro de 2007, o primeiro A380 decola em viagens regulares, e sob a bandeira da SINGAPORE AIRLINES. Os proprietários do avião exultavam de alegria.

FINANCIAL TIMES, 27 DE JULHO DE 2017. Manchete: “FUTURE OF A380 SUPERJUMBO IS DOUBT AFTER AIRBUS CUT PRODUCTION…”. Desde 2015, a AIRBUS não recebeu uma única encomenda pela aeronave. O ritmo da produção passou por uma segunda redução em pouco mais de um ano. Ao invés de mais de uma centena por ano, agora menos de 1 por mês – 10 por ano, com otimismo. Em verdade, e segundo o presidente da empresa, THOMAS ENDERS, apenas 8 em 2019…

TUDO ERRADO. UMA VEZ MAIS, O ORGULHO E A EMPÁFIA CEGARAM OS DIRIGENTES DA AIRBUS E OS POLÍTICOS E AUTORIDADES FRANCESAS. O AIRBUS A380, assim com o CONCORDE, é um MONEY LOSER – Um perdedor de dinheiro. Encantaram-se tanto com a conquista, com o tamanho da aeronave, que não tiveram tempo de prestar atenção na terra, no mercado, nas pessoas, nos passageiros, na realidade.

Não se deram conta que o paquiderme era absolutamente inviável e inadequado para 99,9% dos aeroportos do mundo. Que 99,9% da pistas teriam que ser reforçadas e readaptadas. Que 99,9% dos desembarques teriam que ser repensados e refeitos. Em síntese, que toda a estrutura de terra teria que ignorar as demais aeronaves que povoam o céu do mundo para viabilizarem o delírio francês.

Assim, amigos, aconteceu, novamente. Apaixonaram-se pelo produto e esqueceram-se do mercado. Esqueceram-se de nós. Futuros e improváveis passageiros… Cometer pela segunda vez o mesmo erro é patético. Mas, e desgraçadamente para a FRANÇA, e AIRBUS, aconteceu, novamente.

Repetindo o que nos ensinou LEVITT, “QUEM SE DEIXA SEDUZIR E APAIXONAR PELO PRODUTO, FICA COM O PRODUTO, PERDE O MERCADO”.

ESTADAO